ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 565 - 24/11/2009
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Programa 1156
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Postado por Luciano Martins Costa 3/11/2009 às 8:44:12 AM
 

Os donos da palavra

A imprensa brasileira tomou como uma intromissão indevida do Estado nos negócios privados e um risco para a liberdade de informação a nova lei de comunicações da Argentina, de iniciativa do governo de Cristina Kirschner.

Mas há controvérsias.

Para muitos jornalistas argentinos, a lei é um passo para a democratização da comunicação e deveria ser seguida de uma normatização geral do setor também em outros países da América Latina, inclusive e principalmente o Brasil.

No livro Os Donos da Palavra, resultado de uma pesquisa do Instituto Imprensa e Sociedade, fica claro que a concentração dos meios é um dos entraves ao acesso generalizado e à verdadeira liberdade de expressão.

Segundo esse estudo, consolidado e atualizado por Martín Becerra e Guillermo Mastrini, a concentração da propriedade dos meios de imprensa é uma realidade em todo o continente.

No Brasil, esse fenômeno tem uma trajetória histórica bastance clara, e se torna ainda mais notável com o advento da TV a cabo.

Mesmo com o domínio do mercado e com a concorrência limitada, essas corporações dominantes não têm conseguido expandir a base de leitores de seus principais veículos: a venda de jornais diários per capita caiu 60% entre 2000 e 2004.

A recente recuperação do mercado ocorre na faixa dos chamados títulos populares, destinados a uma classe emergente da pobreza que se convenciona chamar de nova classe média.

Também nesse nicho se reproduz a tendência à concentração, com algumas mudanças recentes como a representada pela compra do Diário de S.Paulo, que pertencia ao grupo Globo, pelo empresário J.Hawilla.

De acordo com a análise de Mastrini e Becerra sobre a pesquisa do Instituto Imprensa e Sociedade, a concentração no Brasil se dá num nível muito superior ao que se considera alto nos estudos internacionais (ver padrões citados por Albarran e Dimmick, 1996).

Os pesquisadores observam que essa organização de conglomerados afeta a diversidade de versões sobre a realidade nacional, reduz o número de atores a influenciar a agenda pública e pode ser uma ameaça à democracia.

Mas para o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, a grande ameaça à liberdade de informação era o diploma de jornalista.

Ah, bom. Podemos dormir tranquilos. 

Observatório na TV

A falta de diversidade no registro dos fatos contemporâneos pode afetar a capacidade de uma sociedade de construir sua História.

Esse é um fenômeno já perceptível no Brasil, com as tentativas de revisão de alguns acontecimentos, como ocorreu no episódio da “ditabranda” protagonizado pela Folha de S.Paulo.

Alberto Dines:

- Há poucas décadas podia-se dizer que faltavam informações, hoje o que parece evidente é a falta de curiosidade. É possível que o excesso de informações esteja sufocando a curiosidade. E isto vale primeiro para os jornalistas, em seguida para o público consumidor de informações.

As livrarias estão abarrotadas com novos lançamentos sobre a 2ª Guerra Mundial, nos cinemas há sempre em cartaz um ou dois filmes sobre o conflito em si e sobre o nazi-fascismo. O Holocausto continua oferecendo um número impressionante de relatos e testemunhos, campeão de histórias tétricas. Mas a 2ª Guerra geralmente é colocada nas prateleiras do passado.

Os 70 anos do seu início recentemente lembrados ainda não conseguiram trazê-la para o presente. O terceiro episódio da série sobre a 2ª Guerra Mundial que está sendo apresentada pelo “Observatório da Imprensa” vai colocar o Brasil nesta trama. “A Tentação Totalitária” vai mostrar a penetração do fascismo no Brasil e como, por pouco, não nos associamos ao Eixo.

Não perca: é uma oportunidade para trazer a história para a atualidade. É a sua história tornada contemporânea. Hoje às onze da noite na TV-Brasil, em rede nacional. Em S. Paulo, pelo canal 4 da NET e 181 da TVA.

Comentários (1)
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 Comentários
LÉO  CAVALHEIRO CARVALHO, Func Publ Municipal (PORTO ALEGRE/RS) - Enviado em 3/11/2009 - 9:30:57 PM
ACREDITO SER ESTE PROGRAMA, SOBRE A INCLUSÃO DO BRASIL NA SEGUNDA GRANDE GUERRA, DE GRANDE VALIA, POIS SÓ ASSIM PODEREMOS SABER, REALMENTE, A POSIÇÃO OCUPADA PELO NOSSO PAÍS REFERENTE A TAL SITUAÇÃO, PRINCIPALMENTE, POR TER SIDO ABORDADA POR UM ESPECIALISTA NOSSO, DA PUCRS, MESTRE EDUARDO DE SOUZA SOARES, ESPECIALISTA NA VISÃO CINEMATOGRÁFICA EM RELAÇÃO BRASIL/SEGUNDA GUERRA. PARABÉNS PELA EQUIPE DO PROGRAMA E SEUS CONVIDADOS, ELEVANDO O NÍVEL DA CULTURA NACIONAL.
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